Belmonte, em Portugal, é a vila onde nasceu Pedro Álvares Cabral. Além disso, lá também é um dos poucos lugares no país que tem uma grande comunidade judaica, com uma história que remonta o período da Inquisição. Essa também é uma bela vila medieval, feita em pedras de xisto, uma das Aldeias Históricas de Portugal. Eu já falei um pouco delas aqui nesse post, explicando que se trata de um conjunto de 12 vilas, que ficam perto da fronteira da Espanha, na região em torno da Serra da Estrela, muito antigas e feitas de pedra.
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Serra da Estrela no outono
A terra natal de Cabral e sua família já era habitada desde a pré-história e também há indícios da presença romana na região. Desde 1398, o Castelo de Belmonte era administrado pela família Cabral, que era claramente muito poderosa. Mas foi no século 15 que Fernão Cabral, tornou-se alcaide-mor (ou seja, o principal administrador nomeado pela coroa) e transformou a antiga fortificação em residência. Esse era o pai de Pedro, que em 1500 liderou a expedição que chegou o Brasil.
Ao percorrer as ruas da cidadezinha é possível observar parte dessa história. O castelo está lá, com suas muralhas e uma janela em estilo manuelino ainda visível. Também há outras atrações muito interessantes da época, como a Igreja de Santiago e o Panteão dos Cabrais, uma construção bem antiga, que era usada pela família e um mausoléu anexo, mais modernos, onde estão as cinzas de Pedro Álvares Cabral e seus pais.
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O Castelo de Belmonte
Igreja de Santiago
Panteão dos Cabrais
Na pequena Capela de Santo Antônio, é possível ver o brasão da família Cabral, e também das famílias Queiroz e Gouveia. O antigo Solar da Família Cabral hoje abriga a Biblioteca e Arquivo Municipal. O Largo do Pelourinho e os Antigos Paços de Concelho também são construções de uma praça típica do século 15.
Antigo Solar dos Cabrais
Pelourinho e Paços de Concelho
Das construções mais modernas, há uma estátua de Pedro Álvares Cabral, que foi inaugurada em 1963 por ninguém mais, ninguém menos do que Juscelino Kubitschek, na época, presidente do Brasil.
É possível ver e participar do processo de fabricação de azeite em Belmonte, com as mesmas técnicas usadas desde o início do século 20. Essa visita é feita com marcação prévia (empds.belomonte@gmail.com / 275 088 698) e custa apenas 2 euros. O horário é 11h e tem duração de 40 minutos. Da cidade também dá para fazer trilhas pela Serra da Estrela.
Uma das atrações mais interessante para mim foi o moderno Museu dos Descobrimentos (apesar do nome para lá de problemático). A exposição interativa conta todo o processo das navegações portuguesas, assim como a chegada ao Brasil e o cruzamento das duas culturas, europeia e indígena. Além de ser muito bem montado e divertido, eu achei muito interessante ver a perspectiva portuguesa sobre o que todos nós estudamos nas aulas de história.
A outra parte importante da história de Belmonte tem relação com os judeus. Eles habitavam o território português desde o período da reconquista, tendo um papel importante no comércio e enriquecimento das cidades. Só que a Europa cristã nunca gostou muito dos judeus. Por alguns séculos, eles foram obrigados a morar em bairros próprios, as Judiarias. Em 1492, a coroa espanhola ordenou a expulsão dos judeus de seu território. Ao mesmo tempo, o tribunal da Inquisição perseguia todos aqueles que se recusavam a converter a fé cristã. Com isso, muitos deles fugiram para Portugal.
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Cinco anos depois, o novo rei de Portugal, D. Manuel, também impõe a expulsão da comunidade judaíca. Ao mesmo tempo, o rei não queria perder tantos habitantes do seu território e, com isso, decretou também a conversão forçada dos judeus. Foi assim que surgiu o conceito de cristão-novo. Em Belmonte, a comunidade judaica, mesmo sendo convertida, manteve suas tradições da religião original (ficando conhecidos como criptojudeus). Escondiam sob os olhos do público, mas conseguiram manter por quase 500 anos sua convicção religiosa através de casamentos e rituais passados de mãe para filhos.
Mesmo quando a Inquisição em Portugal apertou o cerco contra os cristãos-novos, eles mantiveram seus ritos e relações sociais. Foi somente em 1989 que essa comunidade regressou abertamente ao Judaísmo, fundando a Comunidade Judaica de Belmonte. Em 1996, foi inaugurada a sinagoga oficial da cidade e em 2005, o Museu Judaico de Belmonte. A visita é certamente mais interessante com as explicações de algum dos guias do museu, que explica a história.
A Casa do Castelo, um antigo alambique que é um dos restaurantes mais tradicionais da região e um excelente lugar para comer em Belmonte. Como éramos um grupo bem faminto, provamos dois pratos: o Bacalhau Assado na Telha (também conhecido como o melhor bacalhau que eu já comi em Portugal) e Secretos de Porco (que é tipo a barriga do porco cortada em petiscos e servido com batata frita e purê de couve-flor).
O restaurante fica no Largo de Santiago, em frente ao Castelo de Belmonte. Os pratos custam em torno de 10 euros.
Infelizmente, como em toda a região da Serra da Estrela, é bastante difícil se locomover sem alugar um carro. Porém, uma boa notícia é que tem sim ônibus para Belmonte, pela empresa Citiexpress. Dá para ir diretamente indo de Lisboa, ou parando em Viseu, caso você venha de Coimbra ou Porto. Porém, para explorar o resto da região, é necessário alugar um carro. Nós recomendamos que faça a comparação na Rentcars, maior site do mercado, que compara os preços em dezenas de locadoras e está presente em mais de 60 países – assim você pode garantir valores abaixo dos oferecidos no balcão. A Rentcars é parceira do 360, então reservando por aqui você ainda ajuda o blog (e a gente agradece). Ainda, outra opção é contratar uma agência que faça tours pela região. O passeio que eu fiz, foi a convite do pessoal da Simply b, uma agência que promove tours personalizados e temáticos por Portugal. Vocês podem conferir mais informações sobre os roteiros no site oficial.
Para quem busca a tranquilidade de se hospedar um final de semana numa vila medieval aos pés da Serra da Estrela, Belmonte é uma excelente opção. Dentre os poucos hotéis por ali, uma das melhores opções é a Pousada de Belmonte, um hotel histórico, situado num antigo mosteiro medieval, mas com quartos muito confortáveis e restaurante excelente. Fica a 1 km do centro. Tem com nota 9,2 e diária a partir de 90 euros para o quarto duplo. Outro lugar interessante é a Quinta da Ribeira, que tem nota 9,8 e fica fora da vila, há cerca de 3km do centro. É um hotel para quem quer tranquilidade e muito conforto, mas com diárias bem simpáticas, a partir de 50 euros o quarto duplo.
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Estou sempre descobrindo motivos para voltar a Portugal. Ainda não conheco Belmonte, já quero ir lá!