Cuba era um sonho pra mim há muitos anos, mas, por se tratar de uma ilha, acaba nunca entrando nos meus roteiros de viagem. Ano passado, resolvi tirar logo esse sonho do papel e não apenas planejar uma viagem pra Cuba, mas passar três meses por lá, vivendo na ilha e aprendendo tudo que ela tinha pra me ensinar!
Agora, vou contar para vocês alguns macetes que aprendi ao viajar para lá. Como o lugar único e diferente que é, essa viagem exige um pouco mais de planejamento e informação do que para outros países.
Quando fui, percebi que algumas informações que encontrei antes da viagem estavam desatualizadas, e outras simplesmente não explicavam direito como as coisas funcionam na prática.
Por isso, reuni aqui tudo o que você realmente precisa saber antes de embarcar: documentos, dinheiro, internet, transporte e até o que colocar na mala.
Se você vai começar a planejar uma viagem para Cuba e quer evitar perrengues, esse guia vai te ajudar a chegar preparado e curtir ao máximo. Vamos lá? 🚀
Ao planejar uma viagem para Cuba, o primeiro passo é saber o que é preciso quando se trata de documentação.
Pra começar, você deverá apresentar um passaporte válido por pelo menos seis meses a partir da data de entrada em Cuba. Já vê aí se você vai precisar de renovar o seu antes para não correr esse risco!
Veja os documentos que você precisa providenciar antes de embarcar.
Para entrar em Cuba é preciso apresentar um visto, conhecido como Tarjeta Turística. Mas não se preocupe: trata-se apenas de um cartão com seus dados que comprova que você pagou a taxa de turismo e não é necessário qualquer entrevista ou visita ao consulado.
Desde 1º de agosto de 2024 o país introduziu um sistema de e-visto, que vai tornar todo o processo eletrônicos. No momento, tanto o e-visto quanto a tradicional tarjeta de papel estão em vigor, mas a partir de 30 de junho de 2025, o visto eletrônico será obrigatório para todos os viajantes que entrarem no país a turismo.
Para solicitar o e-Visa, é necessário acessar o site oficial evisacuba.cu pelo menos 72 horas antes da chegada ao território cubano.
Após preencher o formulário e efetuar o pagamento da taxa correspondente (quando eu fui eram USD 22), você receberá um código de dez caracteres.
Este código deve ser inserido na plataforma D’Viajeros, gerando um código QR que será apresentado no momento da entrada no país.
O visto é válido por um ano para uma única entrada em Cuba, e você poderá permanecer no país por até 90 dias, sendo renovável por mais 90 dias.
Já a tarjeta turística em papel pode ser solicitada de 3 formas:
O seguro de viagem é obrigatório para entrar em Cuba e é frequentemente solicitado na imigração. Por isso, nem pense em viajar sem!
Se você desembarcar em Cuba sem um seguro viagem, não será necessariamente impedido de entrar no país, mas vai ser obrigado a comprar a apólice da empresa estatal cubana, a ASSISTUR.
Por causa dos embargos, nem todas as seguradoras operam no país. Ao contrário do que se possa imaginar, não é tão difícil assim encontrar uma que ofereça cobertura para o país, mas você só precisa ficar atento a esse risco.
A maioria das empresas brasileiras estão habilitadas a atuar lá.
O que o seguro deve cobrir:
Veja aqui algumas recomendações com cobertura para Cuba:
Para encontrar a melhor opção para você, recomendamos o site da Seguros Promo. Ali, você pode comparar os preços de todas as seguradoras acima e escolher o melhor custo-benefício para sua viagem.
Entender como funciona o dinheiro em Cuba é essencial para evitar perrengues durante a viagem. Veja abaixo tudo o que você precisa saber:
Cuba utiliza o CUP (Peso Cubano), que é a moeda oficial para todas as transações. A maior parte dos estabelecimentos aceitam apenas CUP, então é essencial ter sempre dinheiro em espécie.
Atenção: O CUC, outra moeda que era utilizada por Cuba com valor equiparado ao dólar e muito conhecida como “moeda dos turistas” foi extinto em 2020 e não está mais circulando. Todas as compras são atualmente pagas com o Peso Cubano.
Embora cartões de crédito e débito sejam aceitos em alguns hotéis e restaurantes mais turísticos, a maioria absoluta dos estabelecimentos e serviços locais funcionam apenas com dinheiro vivo.
Por isso, é essencial levar com você todo o dinheiro necessário para a sua viagem.
O recomendado é levar euros ou dólares para trocar. O dólar americano sofre alta taxa de conversão nos pontos de câmbio oficiais do governo, mas é muito bem aceito nas ruas, para câmbio por vias informais.
Ao trocar dinheiro com os cubanos, eles costumam aplicar a mesma taxa de conversão para dólares americanos e euros. Como o dólar é mais barato pra gente, acaba sendo mais vantajoso levar o dinheiro nessa moeda.
Importante: cartões emitidos por bancos dos EUA não funcionam em Cuba. A Wise também não funcionou comigo em Cuba (embora seja holandesa).
Eu levei dólares e euros e não tive problemas para encontrar com quem trocar. O ideal é pedir indicação na sua hospedagem. Eles com certeza vão ter uma pessoa de confiança disposta a fazer o câmbio.
Se conseguir encaixar uma ou mais trocas de dinheiro na sua logística de viagem, vale a pena não trocar tudo de uma vez, tanto pela quantidade de notas de peso que você terá que carregar, quanto porque o peso desvaloriza a cada dia e provavelmente a cotação estará melhor no fim da sua viagem do que quando você chegou (isso vale especialmente para viagens mais longas, como foi meu caso).
Segure aí a notícia boa: durante a pandemia, Cuba ampliou o acesso à internet móvel no país e, hoje, já não é tão difícil ficar online por lá como era antes.
Pra você ter uma ideia, eu fiquei três meses no país trabalhando de forma remota e embora eu tenha passado algumas raivas com sinal ruim em alguns momentos, em geral a experiência foi bem sucedida.
Cheguei a dar uma palestra online durante o período e a subir inúmeros vídeos no meu canal do Youtube. Então, sim, tem internet em Cuba.
Porém, o Wi-Fi não é amplamente disponível como a gente está acostumado, e, quando existe, normalmente é pago (por meio dos cartões pré-pagos de internet) e com velocidade reduzida. A rede em geral pode ser acessada em hotéis, praças públicas e alguns restaurantes, mas prepare-se para a instabilidade da conexão.
Por isso, se conectividade for importante para você, recomendo fortemente que você utilize um chip de telefone local.
Para utilizar a Wi-fi pública em Cuba, você precisará de um cartão pré-pago da ETECSA, a empresa estatal de telecomunicações.
Esses cartões oferecem pacotes de internet por tempo de uso (geralmente 1 ou 5 horas) e podem ser comprados nos escritórios da ETECSA, hotéis ou pontos autorizados. Aí basta raspar o código no cartão, inserir as credenciais em uma rede Wi-Fi pública e pode navegar até esgotar o tempo.
O tempo que sobra no cartão pode ser utilizado em outra sessão.
Dicas rápidas:
Os chips também são vendidos pela ETECSA e você precisa comprá-lo pela internet, de preferência antes de chegar ao país, e retirá-lo ou um dos pontos autorizados distribuídos em aeroportos e lojas em cidades maiores, como Havana e Varadero.
O chip é chamado de Cubacel Tur e é específico para turistas.
O starter pack 33,99 USD. As recargas também são feitas online.
Em Cuba, o acesso a alguns sites e serviços online é restrito ou bloqueado, incluindo plataformas de notícias, redes sociais e certos serviços de streaming.
Apesar de as restrições serem menos severas do que eu imaginava, foi essencial ter contratado um bom serviço de VPN para contornar essas limitações. Inclua esse item na sua lista na hora de planejar sua viagem para Cuba!
Assim, pude navegar na internet como se estivesse em outro país, garantindo acesso a conteúdos bloqueados, como o Instagram e o Twitter.
Utilizei tanto a Surfshark quanto a ExpressVPN e ambas atenderam muito bem, funcionando em praticamente todos os sites, incluindo a Netflix — o que não é tão comum entre as VPNs.
Até hoje uso diariamente para assistir ao catálogo da Netflix de outros países ou para realizar buscas no Google como se estivesse no Brasil.
Dica importante: instale a VPN antes de chegar a Cuba, pois, uma vez no país, será impossível baixar e configurar o aplicativo.
Acredito que esse seja um dos tópicos que mais geram dúvidas na hora de planejar uma viagem para Cuba. Por isso, vamos com calma!
Os ônibus da Viazul são a escolha mais econômica para viajar longas distâncias em Cuba. Eles conectam as principais cidades, como Havana, Viñales, Trinidad, Cienfuegos e Santiago de Cuba, com conforto e segurança e saem dos terminais rodoviários de cada uma delas.
Eu utilizei os ônibus algumas vezes e achei a experiência bem positiva. O único porém é que eles fazem muitas paradas ao logo do caminho, o que acaba deixando as viagem mais longas do que o necessário.
Em geral, eles são equipados com com ar-condicionado e assentos confortáveis, do tipo executivo.
No entanto, é preciso alertar que os horários são limitados, e as passagens podem se esgotar rapidamente, especialmente na alta temporada.
O ideal é reservar com antecedência pelo site da Viazul ou diretamente nas estações de ônibus.
Para deslocamentos mais curtos, dá para usar os táxis, muitos deles em carros clássicos dos anos 50, coloridos e cheios de charme. Eles são comuns em Havana e outras cidades turísticas, mas é bom saber que o preço pode variar bastante.
Sempre negocie a corrida antes de entrar, pois muitos motoristas não usam taxímetro. Para garantir que não vai ser extorquido só por ser turista, utilize o aplicativo La Nave.
Em duas ocasiões – para ir para Varadero e Cayo Santa Maria – eu negociei a viagem diretamente com o motorista e funcionou muito bem, embora o preço cobrado por esses deslocamentos mais longos seja bem salgado (cotado em dólar).
Já os táxis coletivos (ou colectivos) funcionam como caronas compartilhadas. Eles seguem rotas fixas e levam vários passageiros ao mesmo tempo e são muito baratos! É uma ótima opção para se deslocar entre bairros ou até mesmo entre cidades próximas.
Eu tentei alugar um carro em Cuba e, embora tenha encontrado uma locadora em Havana, não consegui fechar o negócio pois aparentemente não havia carros disponíveis para alugar 🤣.
No entanto, em Viñales encontrei duas viajantes europeias que estavam com carro alugado. Elas disseram que fecharam o aluguel com uma agência de viagem em seu país de origem. Portanto, é possível, eu provavelmente não tive sorte.
A mala também é um ponto de atenção na hora de planejar uma viagem para Cuba. Isso porque o país tem particularidades com relação aos produtos disponíveis no mercado.
Você não pode entrar em Cuba com um drone.
Se puder levar produtos de higiene e medicamentos para dar para a população local, o gesto é muito apreciado.
Há muito terrorismo com relação à falta de produtos básicos em Cuba. Pela minha experiência, depois de três meses no país, esse tipo de desabastecimento até acontece, mas provavelmente será pontual.
Eu vi os stories de uma menina que viajou poucos meses de mim dizendo que não encontrava água mineral, por exemplo. Quando eu cheguei lá, a situação já havia se regularizado e eu nunca tive problema em comprar isso.
Segundo uma socióloga cubana que conheci no país, eles costumam entrar sempre nos mercados para ver o que está disponível e já comprar o que podem precisar em algum momento.
Tendo dinheiro, você provavelmente conseguirá comprar aquilo que é necessário para a sua estadia. Mas aí entra outro problema: você nem sempre saberá onde encontrar o que precisa.
É que em Cuba a lógica é diferente não há esses mercados enormes com mil produtos. As vendas são setorizadas e só conhecendo para saber onde ir. Essas são algumas lojas que eu frequentava:
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