Onde encontrar hospedagem grátis em troca de trabalho

A internet tornou possível o desenvolvimento de diversas plataformas bacanas, como os financiamentos via crowdfunding, os sites de troca de coisas usadas e até um que você se conecta com o seu vizinho paga pegar coisas emprestadas. No ramo das viagens, a iniciativa mais conhecida é o Couchsurfing, que permite que você se hospede de graça na casa de um desconhecido. No entanto, nem sempre é fácil encontrar um sofá na mesma bat-hora e bat-local que você quer.

A hospedagem é, depois das passagens aéreas, o item que mais pesa no bolso dos viajantes. Por isso, economizar o valor da diária é o desejo de diversos mochileiros, de gente sem grana, de quem viaja por longos períodos ou, quem sabe, de quem está apenas em busca de uma experiência diferente. Nós listamos abaixo cinco plataformas que vão te oferecer um teto durante a sua viagem em troca de algumas horas de dedicação e boa vontade.

Vale a pena lembrar

Esse tipo de acordo entre viajantes e anfitriões tem algumas questões polêmicas envolvidas. A primeira crítica é que os donos dos hotéis conseguem mão de obra sem pagar por ela, a  troco apenas de uma cama e algumas refeições. Além da exploração do trabalho do viajante, que muitas vezes acaba preso a uma rotina rígida com horários desproporcionais ao “pagamento” oferecido, esse tipo de prática também afeta negativamente a economia local, uma vez que o empregador deixa de contratar alguém para exercer aquela função.

É claro que nem tudo é assim tão preto no branco e nem todas as práticas nesse sentido são predatórias. Há lugares que estão realmente interessados no intercâmbio e na experiência. Mas vale o alerta: desconfie de lugares em que todo o staff é composto exclusivamente de voluntários – o recomendável é que sejam apenas algumas vagas – e converse bem sobre as suas obrigações e as condições oferecidas antes de fechar o acordo. E não relute em denunciar a empresa na plataforma caso você se sinta explorado.

WWOOF

Se você curte uma atmosfera bucólica, o WWOOF pode ser uma opção bem interessante. A sigla significa World Wide Opportunities on Organic Farms, ou, em bom português, Oportunidades Globais em Fazendas Orgânicas. O trato é o seguinte: você consegue cama e comida em troca de ajudar os anfitriões em atividades como semear, compostagem, jardinagem, plantar, cortar plantas, tirar leite, alimentar animais, construir cercas, fazer tijolos de barro e até fazer vinhos, queijos ou pães.

Para participar, basta entrar no site oficial e escolher o país que você quer visitar. Você vai ser redirecionado para o site de ofertas daquele destino. Depois, é só pesquisar as regiões e fazendas que mais te interessam. Os acordos de trabalho variam, mas costumam ficar entre 4 e 6 horas de dedicação por dia em troca de cama e comida. Já o tempo de permanência deve ser negociado direto com o anfitrião.

Eu tenho muita vontade de me hospedar em uma fazenda dessas por um tempo, já que eu acho que seria uma oportunidade incrível de fazer algo totalmente nada a ver com a minha rotina. Quem sabe na próxima viagem para a Europa?

House Sitting

A proposta aqui é cuidar da casa e dos animais domésticos enquanto os donos viajam. É fundamental gostar dos bichinhos, já que você terá que fazer algumas tarefas básicas aqui, como dar comida, carinho, passear e limpar a sujeira. É preciso também uma grande dose de responsabilidade, já que você vai morar na casa de alguém de forma provisória. No mais, é aproveitar o conforto de um lar temporário e explorar o destino escolhido. Há diversas plataformas de house sitting disponíveis hoje. As mais famosas são a Nomador e a Trusted House Sitters.

Worldpackers

Mas tem gente que não é fã da vida do campo. Eu entendo, a natureza pode ser bem hostil e os bichos podem não ir muito com a sua cara. Para essas pessoas, há uma opção parecida, mas bem mais urbana. No Worldpackers, você troca a sua hospedagem pelo trabalho em hostels ao redor do mundo.

Funciona mais ou menos do mesmo jeito: você se inscreve na plataforma e procura oportunidades nos países de sua preferência. Há um seleção prévia de acordo com suas habilidades e experiências. Você pode ser escolhido para trabalhar na recepção, atacar de DJ, guiar um pub crawl, ajudar na limpeza, cuidar das redes sociais do hostel e até mesmo dar aulas de artes e línguas.

A assinatura anual da Worldpackers custa $49 para viajantes solo ou $59 para duplas. E você pode utilizar quantas vezes quiser dentro de um ano. Mas, calma, que ainda tem notícia boa: leitores do blog ganham $10 dólares de desconto na assinatura. Basta clicar nesse link e utilizar o cupom 360MERIDIANOS.

Leia mais no nosso post  Worldpackers é segura? Dicas para participar

Workaway

Ao contrário das duas plataformas anteriores, o Workaway não é especializado em um tipo de trabalho específico. Ele funciona como um banco de dados que reúne pessoas e organizações em busca de voluntários para as mais variadas tarefas.

As oportunidades são diversas e podem partir de pessoas ou empresas. Você pode trabalhar como babá ou mesmo encontrar oportunidades em fazendas e hostels. Em geral, você vai trabalhar 5 horas por dia, 5 dias por semana e, além da cama, vai ganhar também algumas refeições. Para ter acesso às vagas, é preciso pagar uma taxa de adesão, que vale por um ano (23 euros para quem viaja solo e 30 euros para casais ou grupos de amigos).

Helpx

O Helpx vai mais no estilo do Workaway: reúne vagas de tudo quanto é tipo de voluntariado. Na verdade, as vagas disponíveis no Helpx são, muitas vezes, as mesmas do Workaway, por isso não faz sentido pagar pelas duas assinaturas. A vantagem é que o preço do Helpx é mais vantajoso: 20 euros para dois anos de assinatura. O acordo padrão de trabalho é de quatro horas por dia.

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Natália Becattini

Sou jornalista, escritora e nômade. Viajo o mundo contando histórias e provando cervejas locais desde 2010. Além do 360meridianos, também falo de viagens na newsletter Migraciones e no Youtube. Vem trocar uma ideia comigo no Instagram. Você encontra tudo isso e mais um pouco no meu Site Oficial.

Ver Comentários

  • Oi Natalia,

    fazendo minhas pesquisas aqui, encontrei algumas divergências entre o que vi nos sites e o que encontrei aqui no blog.

    O WWOOF por exemplo não é necessariamente grátis (embora você não tenha afirmado isso). Não sei se depende do país, mas as inscrições que eu gostaria de fazer para Brasil e Argentina por exemplo são pagas.

    O Workaway está custando USD 29,00 (solo) e USD 38,00 (dupla). Em dólares, não euros. (Aumentou ou você encontrou também a opção em euros?)

    E o Worldpackers me cobra USD 50,00 por viagem que eu confirmar com um anfitrião!

    É claro que ainda sai mais barato que pagar hospedagem e alimentação todo dia, fora que deve ser uma ótima experiência de intercâmbio cultural, mas ainda assim todos são pagos.

    • Ei Gabriel, Mas no post eu menciono as taxas ;)! Na verdade, você não está pagando pela hospedagem em si, mas a taxa de serviço pela utilização site. Tipo o AirBnB e o HostelWorld, que se não me engano te cobram a hospedagem + uma taxa de serviço, só que nesse caso você só paga o serviço, a hospedagem em si é grátis. E dependendo do caso, como o Workaway, por exemplo, compensa demais para quem vai viajar por longos períodos, pq a taxa cobrada é por período e não por hospedagem. Dá para economizar bastante. O WWOOF, como eu disse no post, é descentralizado, tem um site e uma inscrição para cada país e por isso a forma como acontece pode variar de um lugar para o outro. E quando eu fui pesquisar, achei os valores do Worldpackers em euros, mas se você for ver, os preços que eu coloquei e você colocou são praticamente os mesmos quando se faz a conversão.

      Abraços

  • Olá Natália,

    esse com certeza foi um dos posts com os quais eu mais me identifiquei. Pretendo viajar alguns meses pela America do Sul, mas não tão inclinado ao turismo quanto a experiência pessoal. Trabalhar no campo por exemplo me parece uma ideia ótima.

    Você tem algum outro post pra me recomendar que fale de viagens longas como nesse estilo que quero fazer, que nao precise envolver necessariamente os pontos turisticos mais badalados?

    Até.

    • Ei Gabriel, temos muuuuuitos posts sobre volta ao mundo que acabam servindo para quem quer fazer uma viagem longa só mesmo, não sei se te ajuda, mas se tiver qualquer dúvida, estamos aí!

      • Obrigado Natalia.

        Deixa eu aproveitar pra te perguntar outra coisa. Vocês já viajaram de carona? Já usaram algum desses sites que oferecem caronas? Se sim, como foi a experiência?

        • Ei Gabriel, infelizmente não, nunca usei esses sites. Parece que eles são fortes na Europa, né?

          Abraços!

  • Ótimo post, só precisa corrigir alí de "WWORF" pra "WWOOF". :)

    Eu e minha esposa estamos às vésperas de embarcar para uma jornada de um ano de WWOOF, Workway e Couchsurfing pela Europa!

  • Oi Natália,

    Não chegou a ser citado em seu texto, mas minha esposa e eu estamos viajando de modo permanente (7 meses até agora) sem pagar hospedagem através de house sitting - acordos para cuidar das casas (e dos animais) de quem viaja e não gostaria de deixá-la vazia pelo período.

    Nós escrevemos algumas histórias de nossa experiência em nosso blog, mas adoraríamos compartilhá-la também com os leitores do 360, caso considere interessante.

    Dê uma olhada em https://vidacigana.com/hospedagem-gratuita

    • Ei Carlos, que legal! Realmente não citei essa forma! =) Se quiser contribuir com um guestpost falando da sua experiência, iríamos adorar!

      Abraços!

  • Adorei!
    Natália, tenho uma pergunta que não tem nada a ver com o post, mas acho importante fazer. Vocês citam que são contra o SeaWorld (eu também sou) e que desencorajam as pessoas de visitarem esse parque. Qual a sua opinião sobre o Animal Kingdom, da Disney? Eu não vejo ninguém se posicionar contra como no caso do SeaWorld, mas tenho um milhão de ressalvas quanto a qualquer parque/zoológico que envolva animais.

    • Olá Júlia,

      Eu não sou automaticamente contra qualquer atração que envolva animais. Tem algumas que são éticas e super importante na preservação de determinadas espécies. Sobre o Animal Kingdom, eu nunca fui e não tenho muita informação a respeito. Não sei como os animais são tratados e se eles estão ali apenas para serem parte do show. A principio, eu diria que é como um zoológico qualquer, mas não tenho conhecimento profundo (alguém sabe algo sobre isso?).

      Acho que a questão do Sea World é mais complicada, pq, além de usarem animais selvagens em esquema de circo, ainda não proporcionavam um ambiente adequado para a criação dos mesmos, colocando baleias enormes em espaços minúsculos, por exemplo... Não sei se isso acontece no Animal Kingdom, mas é um ponto interessante a se pesquisar!

      Abraços

  • Desde que eu descobri o o Worldpackers ele não me sai da cabeça. Provavelmente vai ser minha primeira opção se (quando) eu decidir largar tudo e cair no mundo sem data pra voltar!

  • Oi, pessoal!

    Estou fazendo intercâmbio de 1 ano na Irlanda. Fiz 6 meses de curso de inglês em Dublin, fiquei 1 mês planejando para voluntariar pelo 'Workaway' e hoje faz 4 meses que sou workawayer num hostel nas montanhas. Não sei se é permitido postar links aqui, mas se quiserem saber mais, disponibilizo 2 links do Facebook em que relato meu workaway.

    Abraço!!

    grupo do FB - WWOOF / Workaway Brasil:
    https://www.facebook.com/groups/435856269867978/

    Link do meu post em que relato minha experiência:
    https://www.facebook.com/groups/435856269867978/permalink/753990868054515/

    • Legal demais, Lígia! Será que você não faria um guestpost pra gente?

      Abraços e obrigada por compartilhar!

      • Ôpa, com todo prazer! :D Tem algum roteiro pra seguir? Me manda por mensagem pelo Facebook, somos amigas lá! ;D

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Publicado por
Natália Becattini

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