Tem uma coisa que me incomoda, simplesmente porque quase ninguém me pergunta sobre esse assunto. E não acho que seja por falta de dúvida. Acho que, nessa altura do século 21, mesmo com toda mulher tendo que lidar de alguma forma com menstruação, o assunto ainda parece ser meio tabu, tido como muito pessoal para alguém vir num blog tirar dúvidas. Mas a verdade é que eu sempre tive dúvidas quanto a isso, especialmente quando vou fazer uma viagem mais longa ou um intercâmbio. Então, chega de tabu, bora falar sobre o assunto.
Antes de dizer qualquer coisa, acho que é importante, além de ler e compartilhar suas experiências, ir regularmente ao ginecologista, afinal, cada pessoa tem um ciclo diferente e existem reações diversas com mesma medicação.
Leia também: Depilação e viagens, o que fazer?
Cabelo cacheado, viagens e liberdade
Uma questão que costuma passar pela minha cabeça é ficar ou não menstruada durante uma viagem. Se for um passeio mais curto, eu não tenho dúvidas, simplesmente emendo o anticoncepcional uma vez. A Natália Becattini, autora aqui do blog, costumava sempre tomar as cartelas de pílula seguidas, sem pausa.
Mas para mim isso não funciona, porque depois de dois meses fazendo isso, eu costumo ter o problema de escape, ou seja, sangramentos irregulares que são um saco, porque você não sabe quando esperar. E também tem gente que não toma pílula e nem quer começar ou voltar a fazer isso. Enfim, se um sangramento surpresa é chato durante a nossa rotina, numa viagem, com um guarda roupa limitado e nem tanto acesso à maquina de lavar, é um saco!
Logo, para mim, em uma viagem de mais de um mês, eu vou ter que lidar com a menstruação, eventualmente. Então, o que fazer?
Uma coisa que eu aprendi com a volta ao mundo é que aquele absorvente clássico, com ou sem abas, você encontra em QUALQUER LUGAR e não faz o menor sentido levar um estoque disso numa viagem longa. Na Índia, por exemplo, eu levei vários pacotes a toa. Porém, para viagens mais curtas, de até um mês, eu sempre levo um pacotinho para o caso de emergências.
Outra coisa que eu aprendi é que em alguns países, em geral os menos desenvolvidos ou muito tradicionais, pode ser um pouco mais difícil encontrar absorvente interno. Como a caixinha é menor, pode ser uma boa levar mais de uma, caso você tenha o costume de usar e vá fazer intercâmbio num lugar assim.
Além disso, existe o copinho coletor menstrual, que é a invenção do século, na opinião de todo mundo que usa (inclusive a minha, que comprei o tal copinho eu amo muito). Nunca ouviu falar? É uma alternativa aos absorventes, um copinho mesmo, que você insere na vagina e só precisa tirar umas duas vezes ao dia, quando já estiver no conforto do seu hotel ou hostel. Aqui tem um post explicando exatamente como funciona e quanto custa.
Eu acho o copinho coletor uma excelente opção para quem vai viajar porque não só diminui bastante a necessidade da troca (às vezes, durante viagens, é difícil achar um banheiro decente) e também porque você não vai precisar mais ficar se preocupando em comprar absorvente ou se vai achar o tipo que você gosta mais. Nesse site aqui eles ensinam como higienizar.
A grande questão que eu percebi lendo relatos sobre o assunto é que a maioria das pessoas tem um período de adaptação e de entender melhor o corpo e o ciclo. Tem gente, por exemplo, que precisa trocar mais vezes e isso acaba inviabilizando o uso em viagens. Por isso, não compre o copo na vésperas da viagem: use uns dois meses primeiro para garantir que não vai passar aperto longe de casa.
Essa é uma dúvida que sempre me afligia. Hoje em dia eu uso o DIU de cobre, que inseri pelo sistema público português (o SUS no Brasil também insere gratuitamente) e dura 10 anos, com uma proteção contra gravidez maior do que os outros métodos hormonais.
Mas durante anos, usei um anel vaginal durante o mês, que libera os hormônios e eliminava a necessidade de lembrar de tomar a pílula. Ainda mais durante viagens, que com a mudança de fuso horário, faz você se atrapalhar com a hora certa.
O anel é caro – custa uns 60 reais – e não pode ser armazenado em qualquer lugar. Antes de ir para a Índia, eu sofri porque não queria gastar uma fortuna fazendo estoque para todos os 10 meses de viagem. Assim, eu levei quatro caixinhas (a minha médica me deu uma delas, lembre-se de pedir para a sua), minha mãe me mandou mais duas pelo correio e os demais meses eu fiquei sem. Paciência.
Em Portugal, eu fui mais esperta. Afinal, me lembrei que a maioria dos anticoncepcionais são produzidos por grandes indústrias farmacêuticas que são multinacionais e produzem o mesmo remédio para o mundo inteiro. Ou seja, não precisei fazer estoque nenhum e ainda descobri que o anel aqui na Europa custa 10 euros.
Minha dica para você é: dá uma olhada no site do laboratório do seu anticoncepcional e com seu ginecologista se sua pílula é produzida para o mundo inteiro, onde você encontra e se o nome muda. Porém, tenha em mente que em alguns países as farmácias não vendem anticoncepcional sem a receita de um médico local. Foi o que as meninas nos comentários, que já passaram por problemas com isso na Irlanda, Reino Unido e Itália, entre outros.
Se você não encontrar, não se desespere. Leve com você a receita médica do anticoncepcional e a caixinha. Com isso, é só levar na farmácia que eles descobrem para você o seu anticoncepcional, com o nome que ele tiver no país. Foi isso que a Valéria, que mora comigo, fez. E ela também descobriu que a pílula dela era mais barata aqui.
Há estudos que dizem que a combinação “voo longo + anticoncepcional” aumenta o risco de trombose, assim como gravidez, cigarro e álcool, já que esses são fatores de risco para a circulação humana. Por esses e outros motivos, decidi abandonar a pílula e outros métodos hormonais e coloquei o DIU de cobre.
Porém, sei que essa não é uma solução possível para todas as mulheres. Mas sugiro para todo mundo que se houver algum histórico da doença na família ou que fuma, não deixe de consultar não apenas seu ginecologista, mas também um angiologista, para saber se esse é um método realmente adequado para você. E, claro, use sempre camisinha (e lembre-se de levar com você nas viagens!).
Lugano, na Suíça, parece um pedaço da Itália. Com um centro histórico compacto, ruas movimentadas…
A Holafly é confiável? Neste texto, vou analisar o serviço da startup espanhola que oferece…
Este texto é o guia definitivo com os documentos para viajar para os Estados Unidos,…
Este texto é um guia com todos os documentos necessários para viajar para a Europa…
Se você está planejando uma viagem para Minas, não cometa o erro de transformar Belo…
Cuba era um sonho pra mim há muitos anos, mas, por se tratar de uma…
Ver Comentários
Oi, Luiza, muito legal o assunto do post. Eu também uso nuvaring e to indo para a Itália, então fiz estoque. To viajando antes pelos Bálcãs, mas eles podem ficar entre 2 e 3 meses fora da geladeira, segundo meu ginecologista, então quando chegar lá eu coloco. Também vi algumas farmácias onde é possível comprar online, inclusive algumas internacionais. Não consegui achar mais informação sobre isso, mas para quem já está no exterior, às vezes vale a pena tentar.
Quanto ao copinho, comecei a usar há alguns ciclos e to achando uma maravilha. Com algo a mais: sempre me considerei uma mulher com fluxo muito forte, mas a cada vez que eu uso sinto que meu fluxo diminui. Também me sinto menos inchada, tenho menos cólica e dor de cabeça. Algumas pessoas dizem que é porque não uso mais o ob, porque esses seriam efeitos colaterais do alvejante. Pode fazer sentido, porque conheci umas meninas que passaram pela mesma coisa depois de passar a usar ob orgânico (que eu nunca vi no Brasil). O primeiro ciclo foi bem difícil, mas depois só maravilhas.
Oi Júlia,
Que interessante, não sabia desse outro efeito positivo do copinho. Eu acho tão horrível que tantas coisas relacionadas a saúde da mulher, como o ob, sejam tão mal estudadas e causem tão mal.
Obrigada por comentar
Tenho uma curiosidade sobre onde jogar fora, seja o absorvente ou algum outro resíduo ou material. No Brasil há o hábito de ter uma lixeira no banheiro, onde se joga papel e resíduos de banheiro. Em alguns outros países eles costumam jogar o papel no sanitário mesmo, daí não sei se o mesmo vale para os absorventes.
OI May,
Nunca, em hipótese alguma, em qualquer país do mundo, jogue absorvente no vaso sanitário.
Em geral, em todo banheiro no exterior, tem um lixo especificamente para jogar o absorvente. Muitas vezes, até um saquinho para colocar eles providenciam.
Adorei a matéria Luiza,to terminando a minha viagem de volta ao mundo e tinha curiosidade de saber como outras meninas faziam.
Eu optei por emendar a cartela,porém depois de alguns meses seguidoa tomando parava um p mestruar,sentia que meu corpo pedia.Mas tbm tive problema com escape,mas o volume era muito pequeno e ñ era sempre,então continuei emendando.
Qto a compra do anticoncepcional teve paises como Hungria que ñ consegui comprar,ai consegui na croácia,porém na croácia eles ñ peoduzem o anticoncepcional com mesmo hormonio q o meu(ñ existe em nenhum lugar do país),ai tomei outro hormonio que foi péssimo p mim,entao minha dica é p quem tiver nesse roteiro hungria-croácia,ter umas caixinhas extras.
Ai qdo achei na Sérvia o meu comprimido e tava bem mais barato q no Brasil fiz estoque haha e só precisei refazer meu estoque na Índia,onde tbm achei o conprimido por um preço super justo.
Adorei abordarem esse tbm...super valido
Oi Maryam,
Obrigada por compartilhar suas experiências.
Durante a minha volta ao mundo eu fui besta e esqueci de olhar se tinha na farmácia, rs
É isso aí: vamos falar sobre o assunto! Eu sempre programava as viagens para fora do período menstrual, mas agora tenho outras prioridades, ou seja, frequentemente menstruo durante as viagens. E no meu segundo dia eu tenho que trocar de absorvente a cada uma ou duas horas e é um ó depender de banheiro público. Deixo minha homenagem: viva o McDonalds! rsrsr. Foi minha salvação diversas vezes!
Oi Márcia,
Nossa, programar a viagem para fora do período menstrual tem que ter um controle tremendo!
Sabe outro banheiro que costuma ser excelente: Starbucks. E nem precisa comprar café haha
Luiza,
Adorei seu post!
Acho o coletor muito bom, mas minha opinião é exatamente oposta da sua. Acho horrível usar em viagem. Isso porque a gente tende a usar mais banheiros públicos e pela pia ficar do lado de fora da cabine, é ruim pra higienizar o copinho. Além disso, como meu fluxo é ridículo de muito, não posso só tirar o coletor 2 vezes por dia.
E depilação? Você fez a laser, procura cera nos países que vai ou vai na gilette?
Sou alérgica a gilette, então sempre sofro muito com o fator depilação.
Quais são as opções que você conhece e usa (pra maiores períodos)?
No Brasil as opções de coletor são poucas, mas você já viu o femme cycle? Ele é feito para mulheres com fluxo forte e tem uma capacidade muito grande.
Oi Caroline,
Obrigada pela opinião! Realmente, não tinha pensado nesse aspecto, principalmente para quem tem fluxo maior.
Depilação, eu faço várias coisas porque até hoje não tomei vergonha na cara e investi no laser hahaha
Então, gilete só uso nas axilas e perna. Na virilha, em viagens curtas tento ir no salão um ou dois dias antes da viagem. Em viagens mais longas eu faço três coisas: uso aqueles cremes depilatórios na parte mais externa. Quando a situação é grave e tem praia envolvida, acaba usando gilete para disfarçar o resto. E deixo os pêlos no resto do tempo, porque a vida é assim e não tenho o que fazer hahahaha
Nossa! Sempre quis saber sobre depilação também. Fico com dó de gastar uma grana em depilação a laser sendo que essa grana poderia ser usada pra viajar mais rsrs
Esse é meu problema Karol! Mas desse ano não passa, já até tô separando o dindin
Eu uso o depilador elétrico nas viagens. É higiênico, rápido e fácil de usar. Pra mim é uma maravilha, por que as axilas ficam lisinhas, por exemplo. Mas tenho poucos pelos nas áreas íntimas, não aguentaria a dor nessas áreas, diferentemente das pernas, que não sinto muito dor. Só usando pra ter certeza se é realmente bom, por que as opiniões variam de acordo com a dor que a mulher sente. Bj
Luiza, eu super concordo com relação ao copinho. Estou usando-o faz alguns meses e sem dúvida essa foi a melhor invenção que alguém poderia ter feito É estar menstruada sem nem sequer perceber isso, tamanho o conforto e a liberdade. Meu ciclo é pequeno e aproveito sempre o banho para esvaziá-lo e higienizá-lo. Sou só amor com o meu copinho.
Eu uso o copinho coletor e sou fã! É realmente necessária uma fase de adaptação, porque se a colocação for mal feita pode ter vazamento (ou ser incômodo). Levei na minha última viagem, pois sabia que iria precisar, e foi ótimo. É bem como disseste, nem sempre é fácil achar um banheiro para fazer a limpeza e a recolocação do copinho, e poder fazer a troca duas vezes por dia é bastante prático.
Obrigada pelo relato Daise.
Eu pretendo aderir ao copinho em breve!
Tentei comprar e Londres mas não tive sucesso, lá eles só vendem com a receita do médico. Fica a dica para quem for para lá ;)
=/
Bom saber, vou acrescentar isso no post!
Já estou entrando na menopausa, com meus ciclos cada vez mais irregulares e faltosos... Depois de alguns meses sem menstruar, "ela" resolveu me visitar em plena viagem, fazendo-me uma surpresinha nada agradável, no meio da festa de família! Tive de sair correndo da reunião e ir ao hotel me trocar.
Quando mais jovem, sempre tive fluxo regular. Sabia exatamente quando ia menstruar. Talvez por causa disso, não achava que atrapalhava minhas viagens. A não ser quando havia praia no roteiro... Mas, saber a data da "visita" fazia com que me programasse sem surpresas.
Nada pior do que esse tipo de surpresa, que em geral vem nos piores horários!
a Débora tem razão. Aqui na Irlanda eles não vendem anticoncepcional sem receita na farmácia e a do médico brasileiro não vale. Então é melhor pensar direitinho sobre isso e quem sabe trazer tudo. Eu coloquei o myrena antes de me fazer meu intercâmbio por sugestão da minha médica.
(Isso não tem a ver com o post mas acho que vale a observação. Eu sempre leio o blog pelo feedly e quase não comento pois os ícones das redes sociais ficam bem na frente das caixas e é difícil saber se está escrevendo certo.)
Oi Vivian,
Eu vou acrescentar isso no post!
Sobre os ícones, vamos tentar resolver, obrigada pelo feedback