5 motivos para conhecer Estrasburgo, na França
Num mundo onde lugares e pessoas organizam as coisas para torná-las “instagramáveis”, Estrasburgo, França, certamente é dessas cidades que compõem um feed perfeitamente. Para além da paisagem fofa, também tem uma história importante para a Europa. Afinal, essa pequena cidade quase na fronteira entre Alemanha e França fica na região da Alsácia, que se você se lembrar um pouco das aulas na escola, foi muito disputada ao longo dos anos com a vizinha Lorena. Assim, não estranhe nada ao observar que Estrasburgo é francesa, mas também um tanto quanto alemã.
Para começar, é mais fácil encontrar ali lugares para tomar uma boa cerveja artesanal do que um vinho, e veja bem, essa é a região da Rota do Vinho na Alsácia. Além disso, os pratos típicos lembram e muito comidas alemãs com toque francês: joelho de porco, chucrute, salsichões e até pretzels.
“Mas nós somos orgulhosos franceses” disse o nosso guia do Happy Tours, um free walking tour que nos levou por duas horas pela história e curiosidades da cidade. Gabriel e seu sotaque francês. Ele é completamente apaixonado pela cidade e decidido a não perder uma chance de fazer piada com a grande maioria de alemães que nos acompanhava no tour. Digamos que as guerras acabaram, são todos amigos, mas as velhas rivalidades ainda permanecem.
É que Estrasburgo foi alemã e francesa como quem troca de roupas: foi uma cidade livre do Sacro Império Romano-Germânico, em 1681 foi anexada por Luis XIV à França. Em 1871, depois da Guerra Franco-Prussiana, voltou para Alemanha. Depois da Primeira Guerra Mundial voltou ao domínio francês; durante a Segunda Guerra foi dominada mais uma vez pelos germânicos e depois da guerra voltou a ser francesa.
Muitas vezes, quem assumia o poder proibia a população de falar a língua contrária. Além disso, estavam sempre querendo provar um para o outro sua superioridade. Por isso construíam palácios e prédios públicos grandiosos, que iam mudando de dono. É curioso reparar, por exemplo, que o prédio da Biblioteca Nacional, que fica na Praça da República, e é a segunda maior biblioteca da França, tem esculturas e placas de autores como Goethe, porque foi construída durante o domínio da Alemanha.
Apesar de tais rivalidades, Estrasburgo é hoje uma das capitais europeias, ou seja, tem ali uma das sedes do Parlamento e comissões da União Europeia.
Outra curiosidade é que Johannes Guttemberg estudou em Estrasburgo – e dizem que foi na cidade que, por volta de 1430, ele inventou a imprensa. Há uma praça na cidade com uma escultura em homenagem ao inventor.
Na minha opinião, Estrasburgo é uma excelente base para explorar o resto da Rota do Vinho na Alsácia. Principalmente se você estiver sem carro, como eu já expliquei no post que fiz com um roteiro de quatro dias pela região.
Eu fiquei lá três noites e passei pela cidade mesmo por um dia inteiro e um final de tarde. Foi mais do que o suficiente para ver tudo. Recomendo fortemente o passeio depois do entardecer. Muitos turistas não ficam até mais tarde, com isso a região no entorno da Catedral fica sem uma multidão de pessoas em volta, as casinhas coloridas têm outro charme com o céu negro e as várias pontes do rio Ill, um dos afluentes do Reno, ganham iluminação colorida.
Como blogueira que sou, fiz o cálculo de quanto custou exatamente minha viagem: contando hospedagem num Airbnb, transporte de trem para outros cantos da Alsácia como Colmar e Obernai, jantar e cervejas fora todos os dias, café e compra de coisinhas no supermercado: gastamos cerca de 65 euros por dia.
Nós chegamos pelo Aeroporto Internacional da cidade, chamado Entzheim. Apesar de pequeno, várias empresas voam ali, incluindo as low costs como a Ryanair. Em Estrasburgo também fica uma grande estação ferroviária, com conexões de trens de alta velocidade (TGV e ICE) e regionais.
Comece seu passeio na Praça da Catedral de Estrasburgo, concluída em 1439, e que por muitos anos – de 1625 a 1880 – foi a igreja mais alta do mundo. Mas não estranhe o fato da igreja só ter uma torre. Não foi derrubada por bomba nenhuma, é que, na época da construção, o estilo gótico da igreja saiu de moda e a população local, que financiava a obra, deixou de dar dinheiro. Logo, ficou uma torre só.
É possível visitar a catedral gratuitamente, mas é preciso pagar caso você queira estar lá por volta de 11h30 para ver o famoso relógio astronômico badalar os sinos de meio-dia e meia – custa €2. Também é preciso pagar cinco euros para subir 332 degraus até a torre e ter uma vista panorâmica da cidade. A entrada é pela lateral.
Também é da porta da catedral que sai o tal free walking tour da Happy Tours que eu fiz. Se você fala inglês bem, vale muito a pena porque o guia é excelente e conta várias curiosidades sobre a história da cidade. Não é cansativo e nem chato. Lembre-se que mesmo sendo “free”, é necessário dar uma gorjeta no final.
Num prédio ao lado da praça da catedral fica o Palácio Rohan (foto acima), que hoje abriga três museus: Arqueológico, Belas Artes e Artes Decorativas. Há outros museus na cidade, você pode conferir a lista completa no site oficial do turismo de Estrasburgo.
No mais, a cidade tem um estilo que muito me agrada: a principal atração é andar pelas ruas, praças e parques. Sem regra, sem ponto turístico específico. Uma forma interessante de explorar a cidade também pode ser fazer como os locais e alugar uma bicicleta: o aluguel para um hora sai por €1 e para um dia inteiro por €6.
A Petit France é um quarteirão histórico no centro de Estrasburgo, onde o rio Ill divide-se em uma série de canais. Ali você encontra casinhas coloridas em abundância e pontes com uma vista excelente. Antes que você se pergunte o porquê do nome, eu respondo: no século 15 foi construído naquela ilhota um hospital para tratar pessoas com sífilis. E os alemães chamavam essa doença da “a doença dos franceses”, daí o nome.
Com a cidade cortada pelo rio e seus diversos canais, as pontes são uma parte importante da paisagem.
Uma dica: a beira do rio ficam banquinhos e é um espaço muito agradável para fazer um piquenique ou se sentar para descansar. Você vai reparar que os franceses fazem exatamente isso em dias com bom tempo.
Estrasburgo é famosa pelas casinhas coloridas feitas com madeira e argamassa. Tais prédios residenciais eram muito comuns não só nessa região, como em boa parte da Europa, pela facilidade da construção: a estrutura de madeira só precisava ser preenchida com argamassa. O que significava que as casas podiam ser movidas, era só desmontar a estrutura e reconstruí-la em outro lugar.
Para diferenciar as casas dos ricos daquelas de famílias mais pobres é só reparar em como a madeira é trabalhada no exterior: madeira lisa significa uma casa econômica e a madeira mais trabalhada mostra que a casa é de famílias abastadas.
São diversas as ruas e praças lindas pela cidade, de forma que não há uma lista para fazer e sim a recomendação de que você caminhe bastante.
Ponts Couverts
Place du Marché Gayot
Praça da República
Ainda, você vai encontrar vários parques e igrejas em Estrasburgo. Também pode fazer um passeio de barco pelo rio e canais (custa €12, eu não fiz, mas minha xará do Janelas Abertas contou como é a experiência).
Também dá para visitar os prédios mais modernos do Conselho Europeu, Parlamento da Europa e prédio da Comissão de Direitos Humanos. E, para quem vai no final do ano, Estrasburgo é uma cidade que tem um mercado de natal super tradicional. Em dezembro, desde 1570, é realizado o Mercado de Jesus Cristo. Vale a pena conferir, sem dúvida.
A Tarte Flambé ou Flammekueche é um dos pratos rápidos e baratos mais comuns nessa região: uma massa que parece de pizza, bem fininha, coberta com creme, cebolas e bacon.
Nós experimentamos a tarte na microcervejaria La Lanterne, que também produz sua própria cerveja. É um ambiente muito agradável e a conta não sai cara.
Experimentamos, ainda, o Cavpona, uma brasserie que abriu recentemente e vende carnes, hambúrguer, quichés, saladas e claro, tarte flambé.
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Ver Comentários
Boa noite Luiza,
Irei fazer minha primeira viagem internacional em 10/2018. O roteiro é Paris, Estrasburgo e Zurique.
O que acha?
Outubro é um bom mês?
Obrigado.
Oi Fabiano,
Acho que é um bom roteiro sim. Eu gosto bastante de viajar em outubro, as cores do outono são lindas.
Adorei suas dicas! Parabéns pelo blog!
Olá Luiza!Gostei das suas dicas. Eu vou a Estrasburgo no fim do mes. Marquei 2 dias mas tb quero ir a Colmar. Se calhar 1 dia e meio não dá para ver Estrasburgo... Chego a meio da tarde de 29/11... o que sugere?
Oi Ana,
Desculpa ter demorado para responder. Espero que ainda dê tempo.
1 dia e meio dá sim para ver Estrasburgo.
Adorando todas as dicas! Você acha que vale a pena conhecer a região da alsácia no inverno, em fevereiro?
Oi Livia,
Acho que sim, vai ser mais frio, mas até isso tem o seu charme
Oi Luiza,
Obrigada pelas dicas.
Eu moro na Holanda?
Vc ja conhece, acredito que sim, mas se quiseres dicas?
Groetjes,
Marcia
Oi Luiza!
Gostei muito das suas dicas sobre Estrasburgo. Vou conhecer essa cidade em agosto e gostaria de saber se você tem mais alguma dica sobre como ir do aeroporto até a cidade. Vi que o aeroporto não é muito próximo.
Obrigada!
Oi Cláudia,
Tem um trem que vai direto do aeroporto para o centro da cidade. Você compra o bilhete numa máquina ainda no aeroporto e segue as placas para encontrar a plataforma do trem.
Conhecemos Strasbourg, é realmente apaixonante.