Como e onde celebrar o réveillon em Paris

Fui surpreendida! Afinal, não esperava nada. O Conexão Paris e vários blogs e fóruns na internet já tinham avisado: Paris é uma das únicas cidades do mundo onde não se celebra o réveillon apropriadamente. Não tem fogos, não tem nada além de uma multidão decepcionada.

Eu e minha família estaríamos em Paris no Réveillon mais porque as datas coincidiram do que porque ali era o lugar que desejávamos desesperadamente celebrar a passagem do ano. Já estávamos bem felizes com o nosso espumante e comidinhas para celebrarmos a meia noite juntas no apartamento.

A Champs Elyséss, por volta das 19h do dia 31.

Mas como uma blogueira de viagem que se preze, eu não podia deixar de dar pelo menos uma olhadinha em como estaria a Champs Elysées, que ficava a um quarteirão da nossa hospedagem. Ainda mais depois que li a notícia, no dia anterior, que a prefeitura de Paris, pela primeira vez na vida, havia preparado um show multimídia para a virada.

Assim, recrutei minha mãe para me acompanhar (minhas irmãs não quiseram enfrentar o frio e a multidão) e fomos para a rua por volta das 23h para ver o movimento e tirar umas fotos.

Champs algumas horas depois, às 23h

Já na saída do apartamento, reparamos na quantidade de carros de polícia e guardas armados na rua. Os policiais paravam as pessoas e confiscavam garrafas de bebida. A Champs estava de fato lotada, mas dava para se movimentar. E não estava tão frio quanto a minha quantidade de agasalhos sugeria – sorte!

Tinha de tudo, muitas famílias com carrinhos de bebê, muitos idosos, muitos grupos de jovens. Alguns de fato eram meio mal encarados, mas o clima estava bom. Fomos caminhando mais em direção ao Arco, eu tirando fotos, observando a multidão.

“Até que não está ruim” – Observou minha mãe. “Suas irmãs deveriam ser vindo!”. Mas não tínhamos internet para chamá-las.

O Arco do Triunfo estava iluminado, preparando-se para o show de mais tarde. Por volta de 23h30, senti que a aglomeração apertava e decidimos retornar dois quarteirões para baixo, de volta para o apartamento. Doce ilusão. A multidão já era muito grande e as luzes do Arco começaram a dançar, indicando que em breve o show começaria. Tentamos descer mais algumas vezes, fomos para o lado, mas não adiantava, estávamos presas no mar de gente.

Às 23h45 em ponto, começou o “show”. Foi uma projeção bem interessante no Arco, sobre Paris, com música rolando e uma multidão muito animada.

Algumas cenas da projeção. Como mudamos de lugar, não tinha mais a vista do Arco inteiro

Então vieram os fogos. Minha impressão foi que duraram uns cinco minutos. Bonitos, sim! Mas não tão espetaculares quanto em Copacabana, certamente. Como não teve uma contagem regressiva, não tínhamos certeza se já era ano novo, principalmente porque as pessoas a nossa volta ainda não tinham começado a gritar “Bonne Année!” e a se abraçar.

Os fogos acabaram, eu e minha mãe olhamos o relógio: 00h06. E então, a experiência mais estranha de todos os tempos aconteceu: toda a multidão virou as costas e começou a ir embora em conjunto. Tipo, apagaram as luzes: acabou a festa pessoal!

O fim da festa!

No início da decida trombamos com um casal de franceses. Eles tinham rosas e champagne. Parei para tentar tirar uma foto e acabamos recebemos copos de bebida para celebrar com eles.

Continuamos a decida, bem no estilo carnaval de Salvador, sendo carregadas pela multidão. Eu já estava meio em pânico quando vi uma rua lateral onde poderíamos entrar.

Cortamos caminho por ali e por uma galeria e conseguimos chegar em casa por volta de 00h20, com minhas irmãs meio furiosas com a nossa ausência na virada. Explicações dadas, fomos celebrar nosso Réveillon atrasado. Não quero nem imaginar como seria se tivéssemos que pegar transporte público para voltar.

Outros lugares para celebrar o Réveillon em Paris

Não sei se a nova tradição de fogos e luzes no Arco do Triunfo vai se manter para os próximos anos. O mais provável é que sim. De qualquer forma, apesar de ter sido bem bonito, eu não planejaria meu réveillon em Paris esperando uma grande festa.

A cidade fica lotada nessa época do ano, tem fila para tudo e é muito frio. O transporte público funciona 24h no dia 31/1º e também é gratuito (sim!) de 17h do dia 31 às 2h15 do dia 1º. Porém, imagina o tamanho da muvuca por volta de 1h?

De qualquer forma, descobri nas minhas pesquisas que muita gente também vai para Champs de Mars ver as luzes da Torre Eiffel à meia-noite. Lá não tem fogos, mas a região oferece um visual lindo, com a Torre se iluminando na hora da virada. Uma opção mais alternativa (e menos cheia) é ir para Montmartre, celebrar à beira da Sacre-Coeur, com a vista de toda cidade.

Minha irmã tem uma amiga que mora em Paris. Ela passou a virada numa boate na região da Champs Elysées. O valor da entrada era 50 euros, com direito a uma bebida. Vi outras três boates pelo mesmo preço, apesar de também existirem opções bem mais caras. Restaurantes em geral esgotam as reservas com muita antecedência e custam, no mínimo, uns 150 euros por pessoa (com bebidas cobradas a parte, em geral).

Você também passou o Ano-Novo em Paris? Tem alguma dica extra? O que achou da experiência? Conte nos comentários =)

 

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Luiza Antunes

Luiza Antunes é jornalista e escritora de viagens. É autora de mais de 800 artigos e reportagens sobre Viagem e Turismo. Estudou sobre Turismo Sustentável num Mestrado em Inovação Social em Portugal Atualmente mora na Inglaterra, quando não está viajando. Já teve casa nos Estados Unidos, Índia, Portugal e Alemanha, e já visitou mais de 50 países pelo mundo afora. Siga minhas viagens em @afluiza no Instagram.

Ver Comentários

  • eu passei a virada de 2009-2010 aos pés da torre! muita gente...muito frio e nenhum fogos de artificio...mas foi divertido pois era minha primeira vez em Paris, mas concordo, reveillon na europa não tem nada haver com o nosso!!!

    • Eu acho que a maioria das pessoas acaba se divertindo porque está em Paris, e isso, por si só, já é maravilhoso, mesmo com a multidão e o frio, eheh

  • Eu passei a virada de 2012/2013 em Paris,mais precisamente na Sacre-Coeur e foi super divertido. Tava lotada, todo mundo com suas bebidas na mão e os bares tbm estavam cheios. Como n tinha fogos, as pessoas mesmo fizeram a contagem regressiva e o que eu axei diferente é que todo mundo se abraçava, conhecidos e desconhecidos, coisa q aqui no Brasil (pelo menos nos lugares onde passei o reveillon) n acontece.

    • Oi Thêmis,

      Eu imagino que o Réveillon no Montmartre deve ser o mais divertido. Lá sempre tem gente tocando violão, cantando, etc.
      Lá na Champs Elysees eu não vi estranhos se abraçando não, talvez porque era uma multidão muito grande. Mas as pessoas gritavam Bonne Annee umas para as outras.

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Luiza Antunes

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